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...:::Família Naves:::...

Blog EntryJun 8, '08 9:58 AM
by Júlio for everyone

JOSÉ LOURENÇO LEITE NAVES

                               UM VENCEDOR

 

RELATO DA ACADEMIA DORENSE DE LETRAS

A fundação da ADL, entidade que presidiu com abnegação e brilhantismo, dela resultando o aparecimento de uma plêiade de novos escritores e um notável acervo cultural de conquistas, como os vários concursos literários lançados nos âmbitos local, regional e nacional, com ampla e apreciável participação de poetas, cronistas e contistas.

                   “...No inverno com a cabeça encanecida

                        filhos, netos, recordações de outrora,

                        resta o orgulho da etapa já vencida,

                        Ciclo da vida que termina agora.”

                          José Lourenço Leite Naves

                        Poema Ciclo da Vida, de seu livro “Fantasias”

A Academia Dorense de Letras (ADL), citando seu presidente, evoca as “Recordações de Outrora” (outro poema seu), no momento em que o perde na presente trajetória. Ressalta a amiga e companheira: ...“não ficam restos de orgulho, acumulam-se lições de vida do presidente, escritas com realização de sonhos e concretização de projetos.

A cabeça “encanecida” corroeu o cérebro lúcido do homem que caminhou um caminho de longos 95 anos, com a juventude interior dos que buscam sempre chegar mais longe. Com formação de farmacêutico, trabalhou na atividade para a qual se qualificou na sua “Farmácia Naves” por décadas; foi vereador e presidente da Câmara Municipal, prefeito por dois mandatos, Provedor da Santa Casa de Misericórdia de nossa cidade durante vários anos, presidente do Radium Club Dorense, da Casa da Cultura (responsável direto pela sua existência)...

Finalmente, às portas dos noventa anos, movimentou-se, articulou, agregou e criou a ACADEMIA DORENSE DE LETRAS em 1998.

Por mérito e direito dirigiu a ADL desde a fundação, inclusive recebendo a honraria de Presidente Perpétuo. A Academia foi sua alma, deu-lhe fôlego para vencer a difícil fase dos primeiros anos.

Assim, percorreu as estações da vida, construindo em todas elas. Fez história, amou sua Nicinha a quem tanto cantou, honrou seus pais, devotou-se aos filhos, netos e bisnetos, acreditou em Boa Esperança.

E por acreditar, inscreveu-se na galeria dos dorenses que têm fé em sua terra e sua gente, no homem, no trabalho e na inteligência. Sonhou e por isso foi poeta. Publicou “Fantasia” em 1994 e poemas em jornais. Marcou sua presença literária, como autor e incentivador. Seu legado é grande. Ele foi um Vencedor. Um semeador de sonhos...”

 

BOA ESPERANÇA muito deve a este homem. que amou seu povo, nele confiou e em sua cidade. No parecer de muitos conterrâneos, a criação da Academia Dorense de Letras  é considerada a grande realização  como uma  das mais importantes obras - do grande realizador nato que foi.

 

SUA HISTÓRIA

José Lourenço Leite Naves teve a predestinada felicidade de nascer em Boa Esperança, em 8 de fevereiro de 1910 – quando o topônimo que a identificava era Dores da Boa Esperança – em nunca envelhecendo o espírito, o ideal e a vontade ferrenha de sempre promover o bem para sua gente.

Dorense de nascimento e orgulhoso pelo adjetivo que, segundo ele, “por si só já engrandece aquele que pode usá-lo”, carregou-o aos quatro cantos durante sua existência terrena e que, com absoluta certeza, o acompanha agora de igual maneira e terá sido o seu “passaporte” para colocá-lo junto aos gloriosos.

           

Pensei em inserir um pouco do que sei de Carlos Ribeiro Naves e Amélia. Vou somente confirmar com uma prima mais velha em Boa Esperança sobre quem foi meu bisavô (Tenho conhecimento de que era troupeiro viajante, proprietário de inúmeras mulas, responsável pelo abastecimento de tudo nas pequenas cidades. Seria hoje tipo uma “Viação Naves”.)

         

Foi o primeiro da numerosa prole de 11 filhos com que foram agraciados os seus pais, Sr. Achilles Ribeiro Naves e Sra. Maria Augusta Leite Naves, que era conhecida também por Dona Sinhá. Eram os dois naturais da localidade, descendentes das tradicionais famílias “Naves” e “Leite”.

Seu pai fez os estudos preparatórios no Caraça – colégio mineiro famoso pelo rigor de seus dirigentes e pelo estudo da língua-mãe, o latim, e completou sua educação formal com o curso superior de Farmácia na faculdade de Ouro Preto. Achilles Naves era o proprietário e organizador de uma rica coleção de bíblias. Dessas circunstâncias, provavelmente, surgiram a vocação de José Lourenço para uma postura cristã, para a profissão que abraçou (farmacêutico pela Faculdade de Farmácia de Alfenas, MG), o seu amor pela literatura e a sua admiração pelos livros, tão intensa quanto a fascinação de tantos por jóias de altos valores, ou outros de significado material.

Dona Sinhá, mãe zelosa e professora, propiciou-lhe o ensino das primeiras letras na própria casa. Vale ressaltar que o município escolheu o apelido carinhoso que lhe davam os seus familiares e amigos, para denominar o CESEC local de Centro Estadual de Educação Continuada “Professora Sinhá Leite”, em reconhecimento a sua dedicação ao magistério.

Terminados os cursos preparatórios em Formiga – no Educandário de seu tio, professor Antônio Augusto Leite, irmão de sua mãe, e em São João Del Rei, José Lourenço fez o curso superior na Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas, onde obteve o diploma de farmacêutico em 1930. No ano seguinte iniciou o exercício da profissão, com 21 anos, na cidade mineira de Santo Antônio do Amparo. Posteriormente, transferiu para Boa Esperança sua Farmácia Naves, antigamente na Rua Presidente Vargas e funcionou até o ano de 1970. 

Ao limiar de seus 30 e poucos anos, casou-se com Eunice Banterli Silva Naves, a saudosa dona Nicinha, longa e feliz união, que durou por 52 anos e abençoou com 5 filhos e muitas alegrias o exemplar casal.

Elegeu-se prefeito no pleito municipal para o quadriênio 1967/1970. Tornou-se nesta oportunidade, o “Feliz Prefeito do Centenário”, numa referência aos 100 anos de emancipação política de Boa Esperança, festejado na semana antecedente a 15.10.1969. Como Prefeito e de visão empreendedora, imprimiu grandes obras como a confirmação em Furnas da Avenida Beira Lago, a construção dos postos de saúde que ainda hoje funcionam, assim como o Pronto Socorro, o CESEC Professora Sinhá Leite, o primeiro aparelho de Raios-X do hospital, várias e várias escolas rurais, reestruturação de todo o sistema de água e esgoto da cidade, praças e já àquela época demonstrou sua consciência ecológica, tendo plantado milhares de árvores visando o bem da população, ato que lhe valeu o carinhoso apelido de “Zé Arvinha”.

Terminada sua gestão, zerada a situação econômica, mudou-se com a família para Belo Horizonte em 1971. Na capital mineira batalhou firme, já nos seus 61 anos de idade em busca do trabalho tão precisado.  Não muito tempo se passou e a inteligência e a prática lhe valeram para ser admitido como farmacêutico  na Cooperativa dos Servidores do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais. Lá trabalhou até 1982, quando por um telefonema surge o convite do dr. Tancredo Neves: ...“Lourenço, meu companheiro, você é o único capaz  a nos garantir a vitória em Boa Esperança no pleito que se anuncia...”  e,  assim mesmo, docilmente lhe pediu o então candidato ao Governo de Minas, que retornasse à sua cidade e se candidatasse, enfrentando três outros fortes nomes da região. O convite lhe fora feito por um grande ídolo e companheiro, e de igual maneira, docilmente aceito, embora tivesse sua vida ainda por ajeitar: conseguira comprar um apartamento, os filhos todos estudando já em Belo Horizonte. Uma outra virada!... “Seria uma temeridade”, a família pensava... Mas, “a ternura da fidelidade suplantou em muito nossos temores e a emoção serenou o coração de todos nós”. José Lourenço retorna e se reelege. Um Vencedor! uma vez mais...

Prefeito por duas gestões, portanto - nos anos 60 e nos anos 80, duas épocas bem distintas, nas quais os problemas eram diferentes e, no entanto, soube com maestria e distinção conduzir os destinos da cidade. Em ambas as oportunidades priorizou a trinomia Saúde, Educação e Obras Públicas. Vereador e Presidente da Câmara Municipal, Provedor da Santa Casa de Misericórdia, Poeta e Fundador da Academia de Letras, era um idealista e empreendedor incansável.

José, carinhosamente chamado pela adorada esposa Eunice, a dona Nicinha – idêntica natureza, foi por excelência, um homem público devotado ao progresso de sua terra.  Enquanto no mais alto cargo do município, nos dois mandatos, foram anos de progressista gestão da coisa pública, e da realização de inúmeras obras importantes para a nossa terra, muitos de seus projetos constituíram a alavanca para tantas e tantas realizações de seus sucessores.

O GRANDE DESTAQUE de sua vida foi a honestidade, a dignidade, o trabalho, o trato com a coisa pública, marido amantíssimo, pai amoroso e adorável avô.

DA VIDA PARTICULAR

E com o mesmo espírito festivo que impingiu a sua própria vida, de sincera gratidão ao Senhor pela força de seus passos nos caminhos percorridos, festeja junto aos seus grandes amores, a esposa Nicinha - a mais amada dentre todas, aos adorados filhos, genro, noras, netos, irmãos, cunhados, sobrinhos e uma imensidão de amigos as suas Bodas de Ouro. Sob as bênçãos de Deus em Missa adequada à ocasião, veio-lhe o poema:

   BODAS DE OURO

                   José Lourenço e Nicinha

                   21.08.1945 - 21.08.1995

         “Pelas retas e curvas do caminho,

         Alcançamos a feliz boda de ouro,

         Cinqüenta anos de amor e de carinho,

         Sem temor de qualquer um mau agouro!

 

         Em cada coração um dourado escaninho

         Onde cada qual guarda seu tesouro,

         Jura de amor grava em pergaminho,

         Onde o tempo não fez nenhum desdouro.

 

         Graças meu Deus pela felicidade!

Pelos nossos filhos e netos tão amados!

         Dos quais nos orgulhamos com humildade!

 

         Que sejam todos por nós abençoados!

         Tenham sempre por lema a dignidade!

         Honrando os presentes e os antepassados!”


 

 Maria Eunice Silva Naves Boglione.






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